O crescimento das Terapias Holísticas

Cresce a oferta pelo SUS dos chamados tratamentos integrativos Procedimendots são práticas complementares aos métodos de cura convencionais. Atividades como o Tai chi chuan tiveram aumento de 358% em um ano.

Tai Chi Chuan

Paloma Oliveto

Publicação: 09/02/2010 11:45

As práticas têm mais de mil anos, nasceram do outro lado do mundo e, aos poucos, conquistaram o Ocidente. Os brasileiros estão, cada vez mais, interessados na medicina não convencional, e a prova disso é o salto da oferta, pelo Sistema Único de Saúde, de homeopatia, plantas medicinais e fitoterapia; medicina tradicional chinesa e termalismo (leia quadro). O balanço mais recente do Ministério da Saúde indica que, de 2007 para 2008, o número de atendimentos cresceu 122%. Só o investimento em a homeopatia aumentou 383%, comparando-se com 2000. Além disso, as práticas corporais como Lian Gong e Tai chi chuan popularizaram-se a ponto de, em um ano, registrarem crescimento de 358% no número de procedimentos realizados.

Todas essas atividades são consideradas integrativas, pois partem do princípio que a abordagem médica tem de levar em conta o indivíduo como um todo, e não apenas cuidar de um órgão ou um sintoma específico. De acordo com o médico e homeopata Ícaro Alves de Alcântara, coordenador da ouvidoria do Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal, as práticas integrativas não são consideradas uma especialidade médica reconhecida pelos órgãos regulamentadores e de classe. Trata-se, na verdade, de um “nome fantasia”, como define, que abrange atividades holísticas e naturais, que possam ajudar na melhoria da qualidade de vida do paciente.

“Essa abordagem integrativa preocupa-se com todos os sinais e sintomas da pessoa, porque o corpo é um sistema fechado, e todos os sintomas têm relação entre eles”, diz. “Hoje, a aceitação é cada vez maior. O paciente não quer mais tomar um remédio atrás do outro. Quer algo mais profundo e natural”, afirma. De acordo com Alcântara, autor do livro Qualidade de vida, qualidade é vida, geralmente, as pessoas que procuram práticas complementares já passaram por vários tipos de especialidades médicas, sem conseguir alívio para seus problemas.

Na casa da servidora pública Rosana Barreto Melo Ramos, 48 anos, a família toda é adepta das práticas holísticas. Quando o filho mais velho tinha 2 anos, Rosana já estava cansada de buscar a solução para a amigdalite da criança e resolveu consultar um homeopata. “Meu marido era cético e desafiou o médico. Vinte e quatro horas depois, meu filho não tinha mais nada, nem febre”, conta. Desde então, as terapias naturais substituíram os medicamentos alopatas. Também mãe de Bianca, 13, e Bárbara, 18, Rosana afirma que, se as meninas tomaram antibiótico duas vezes na vida, foi muito. “Medicina alopática, só se for de emergência”, diz Rosana, que trata de um problema no nervo ciático com acupuntura.

Bárbara, formada em relações públicas, procurou a homeopatia para cuidar de uma forte rinite. “Em quatro meses, eu estava curada”, garante. Depois, como estava estressada com o término de um namoro e com os trabalhos finais da faculdade, resolveu continuar o tratamento. Hoje, faz acupuntura. Foi também com as terapias naturais que a irmã mais nova, Bianca, patinadora profissional, cuidou de uma lesão no pé, adquirida durante um treinamento. “Aqui, a gente só usa esse tipo de medicina”, enfatiza Bárbara.

Pioneirismo
Primeira unidade federativa no Brasil a adotar a medicina integrativa na rede pública, o Distrito Federal oferece, desde 1989, diversas atividades, que vão da acupuntura à arteterapia, passando por automassagem, Lian Gong, shantala, meditação, homeopatia, fitoterapia e medicina antroposófica. “O que todas essas práticas têm em comum é que não trabalham a fragmentação do sujeito. Buscam uma abordagem integral, não focando apenas uma doença, mas essa visão ampliada, utilizando mecanismos naturais de cura”, diz o médico Divaldo Dias Mançano, chefe do Núcleo de Medicina Natural e Terapêutica de Integração (Numenati) da Secretaria de Saúde do DF.

Ele conta que as primeiras práticas adotadas na rede pública foram homeopatia, acupuntura e fitoterapia. Ao longo de 21 anos, outras atividades agregaram-se a elas, a partir da constatação de que, cada vez mais, a população se interessava pela medicina natural. Segundo Mançano, além das pessoas que procuram o serviço espontaneamente, cresce o número de médicos que encaminham seus pacientes às práticas holísticas. Em todas as unidades de saúde do DF há atendimentos de diversas atividades. Por ano, são 200 mil, sendo que só a homeopatia e a acupuntura são responsáveis por 25 mil procedimentos anuais.

O chefe do Numenati afirma que uma das características mais interessantes da medicina integrativa é a coparticipação do paciente. “O sujeito fica mais envolvido. Ele tem de dirigir novos olhares para sua própria vida. Com isso, chegamos à desmedicalização: o sujeito tem uma autonomia e não precisa recorrer sempre ao sistema de saúde”, afirma. No DF, está em curso uma pesquisa sobre o atendimento associado da alopatia e da homeopatia para portadores de HIV/Aids. “Ainda temos um ano de estudo pela frente, mas pelos inúmeros depoimentos relatados por pacientes de várias enfermidades, sabemos que há um impacto grande na qualidade de vida”, diz.

Além do resultado positivo na saúde dos pacientes, a medicina integrativa mostrou que também representa uma boa economia para os governos. Em Campinas (SP), a Secretaria de Saúde registrou, em 2006, uma redução de 12,5% no consumo de anti-inflamatórios em relação a 2005, o que foi atribuído à oferta de acupuntura para diminuição das dores dos pacientes.

Fonte: Correio Braziliense

About The Author

Sérgio Nogueira

Presidente da Associação Brasileira de Radiestesia e Radiônica (ABRAD). Possui formação ainda nas áreas de acupuntura, reiki, hipnose, magnetismo e outras, que utiliza de forma sinérgica em seu trabalho. Atualmente se dedica a atendimentos na área de radiestesia empresarial, auxiliando profissionais e empresas a atingirem seus objetivos.

Comente este artigo