PARACELSO
Os textos de Paracelso são importantes porque neles podemos encontrar a essência da Terapia Holística em sua plenitude.
Temos visto com o passar dos anos a validade das ideias do velho alquimista na prática, ideias estas que o muitas vezes ele reporta a antiguidade e não a si. E fato curioso, seus textos soam extremamente atuais aos nossos ouvidos ainda hoje, por quê isto ocorre?
Porque o conhecimento apresentado pelo sábio não é sujeito a aperfeiçoamento nem decantação, se tratando antes de verdades atemporais que sobrevivem as mudanças, aos governos e as estações, um conhecimento adquirido em um livro de fato escrito pelas mãos divinas, a natureza.
Cada axioma daquele a quem o povo chamava Magnificus é uma pérola preciosa, uma pedra de raro valor para aqueles que se dedicam a estudar a saúde humana.
Desejamos uma boa leitura a todos.
Axioma I – “ O saber não está armazenado em um só lugar, mas disperso por toda a superfície da terra”
Axioma II – ” Toda substância dotada de vida orgânica, embora aparentemente inerte, encerra grande variedade de potência curativa”.
Libellus prologorum
Livro dos prólogos
Livro primeiro
Prólogo primeiro
(do conteúdo da medicina)
É conveniente que saiba previamente, amigo leitor, que todas as enfermidades têm universalmente cinco tipos de tratamentos diferentes e fundamentais.começaremos então o estudo da nossa medicina pelo curatio (tratamento) e não pelas causas, já que a devida aplicação dos tratamentos nos conduzirá facilmente à descoberta da origem das doenças (ex-juvantibus). o ponto principal e o primeiro argumento do nosso livro será a afirmação desses curationes quinque (cinco tratamentos), o que deverá aceitar como se fossem cinco ciências da medicina, cinco artes ou cinco faculdades do entendimento.
Cada uma delas é capaz, por si mesma, de formar um meio terapêutico completo para a cura de todas as enfermidades (facultas medicinae) nas mãos de um médico hábil, competente e esperto, que deverá a melhor para cada ano. dessa maneira será possível curar qualquer acidente, sofrimento ou doença, tanto numa como em outra medicina (causas visíveis e/ou causas invisíveis).
Assim sendo, será bom que cada médico se esforce num estudo cotidiano e constante para alcançar a máxima ciência e experiência em qualquer um dos cinco médicos, sem esquecer que tem tanta ou maior importância o conhecimento da alma do paciente do que do seu corpo. assim mesmo, mas estritamente dentro da medicina. a base de sua ciência estará nela mesma e não nesta ou naquela estranha subjetividade. Não deve aceitar ou desprezar uma causa por outra sem as devidas razões, nem discutir sem fundamento, e em qualquer caso deve mostrar uma perfeita confiança em si mesmo.
Com cada um desses métodos, suficientemente perfeitos – per se e in se -, pode alcançar uma compreensão completa, teórica e prática do conhecimento das causas e das curas de todas as doenças. com isto damos por terminada a exortação do nosso primeiro livro.
Axioma III – “nosso poder contra os astros é parecido com este exemplo:
só a dúvida (trepidatio) pode nos enfraquecer, permitindo que a mesma força da fé nos tira como um disparo pela culatra”
Prólogo segundo

Laboratório alquímico
Sobre os dois grandes grupos de enfermidades e o modo de aplicar seus remédios.
Quem quiser ser médico deve saber primeiramente que a medicina é dupla: clínica e cirúrgica, o que não significa que tenha duas origens distintas mas apenas duas expressões; trata-se de uma divisão puramente específica que encerra em si mesma sua própria razão de ser. A febre e a peste, por exemplo, mesmo que provenham da mesma fonte têm, como se sabe, manifestações próprias e diferentes. Quando essa fonte, origem ou causa mórbida, expressa uma putrefação interna, aparece a febre que muitas vezes obriga a pessoa a ficar de cama (clinice) ou termina se transformando em peste, que dizer, abandona o centro e se manifesta na superfície externa do corpo. (patologia interna e externa ).
Ter razão e bom juízo em uma ou outra medicina será o resultado de um estudo reiterado e atento de quando elas começaram.
Toda afecção que vai do centro até à periferia deve ser considerada como física (clínica), e toda aquela que ao contrário, ganha o centro partindo da periferia será tributária da cirurgia (? traumatologia). tornando isso mais claro, deve considerar-se que tudo o que se resolve pelos umunctórios naturais do corpo, pela própria secreção da natureza, é inteiramente físico. e cirúrgico, ao contrário, tudo aquilo que aparece como erupção por emunetórios não-naturais.
Da mesma maneira, tudo o que pode ser visível na superfície do corpo deve ser considerado como ferida e caso de cirurgia. e de ordem física, ao contrário, se permanece oculto.
Na realidade estas são as razões e os motivos que dividem os médicos em duas grandes classes: a dos clínicos e a dos cirurgiões. no entanto cada um deles pode obter a cura de seus doentes pelos cinco métodos e as cinco causas já ditas, que cada um analisará à sua maneira.
Finalmente, como já foi dito, todos devem conhecer cada classe e cada uma dessas cinco origens – o que poderia, por sua vez, dar lugar a cinco classes distintas para cada um dos grandes grupos ou especialidades – e não é menos certo dizer que somente existe uma classe para o verdadeiro conhecimento e intelectualização das causas.
Desta maneira nós quisemos definir os graus e os estados que vamos encontrar entre os médicos.
Axioma I – “ o saber não está armazenado em um só lugar, mas disperso por toda a superfície da terra”
Axioma II – ” toda substância dotada de vida orgânica, embora aparentemente inerte, encerra grande variedade de potência curativa”.
Libellus prologorum
Livro dos prólogos
Prólogo terceiro
Sobre os modos e as maneiras de curar
Passemos agora ao estudo das cinco origens, faculdades médicas ou modos de curar:
I – Medicina Natural: conhece e trata as enfermidades como ensina a vida, a natureza das plantas, e conforme o que convém a cada caso por seus símbolos ou concordâncias. assim curará o frio pelo calor, a umidade pela secação, a superabundância pelo jejum e o repouso, e a inanição pelo aumento das comidas. a natureza dessas afecções ensina que as mesmas devem ser tratadas pela aplicação de ações contrárias. avicena, galeno e rosis foram alguns dos defensores e comentariastas desta teoria.
II – Medicina Específica: os que defendem e pertencem a este grupo tratam as doenças pela forma específica ou entidade específica ( ens specificum ). i imã, por exemplo, atrai o ferro não por mei das qualidades elementares, mas através de forças e afinidades específicas. os médicos deste grupo curam as enfermidades pela força específica dos medicamentos correspondentes. Também pertencem a este grupo aqueles que fazem experiências, chamamos por alguns de empíricos com justa razão. finalmente, também entre os naturalistas, aqueles que fazem uso e receitam purgantes, já que estes impõem forças estranhas que deveriam do específico, completamente fora do natural, saindo de um grupo para entrar em outro.
III – Medicina Caracterológica ou Cabalista: aqueles que a exercem curam as doenças, pelo influxo de certos signos dotados de um estranho poder, capazes de fazer correr aqueles que se manda, e dar-lhes ou tirar-lhes determinados influxos ou maléficos. isto também pode ser feito através da palavra, sendo em conjunto um método eminentemente subjetivo. os mestres e autores mais destacados desse grupo foram: alberto, o grande, os astrólogos, os filósofos e todos aqueles dotados “da magia”.
IV – Medicina dos Espíritos (spirito) (? elementais da natureza ): seus médicos cuidam e curam as enfermidades mediante filtros e infusões que coagulam o espírito de determinadas ervas e raízes, cuja própria substância foi anteriormente responsável pela doença (homeopatia) ( similia similibus curantur ). Acontece a mesma coisa quando um juiz, tendo condenado em réu, se transforma posteriormente na sua única salvação, já que só através de seu poder e de suas palavras poderá obter novamente a liberdade. os enfermos que padecem dessas doenças podem se curar graças ao espírito dessas ervas, conforme está escrito nos livros deste grupo e da qual fizeram parte grande quantidade de médicos famosos como hipócrates e todos de sua escola.
V – Medicina da Fé: aqui a fé é usada como arma de luta e de vitória contra as doenças: fé do doente em si mesmo, no médico, na disposição favorável dos deuses e na piedade de jesus cristo. acreditar na verdade é causa suficiente para muitas curas. neste assunto temos a vida de cristo e de seus discípulos como melhor exemplo.
Axioma IV – “ É na separação que podemos conhecer todas as coisas, pois somente deste modo saberemos o que se separou, remediando justamente o princípio correspondente a cada caso.”
Libellus prologorum
Livro dos prólogos
Prólogo quarto
(sobre os métodos de ensinamentos médicos)
Os livros que mostramos em seguida estão divididos em duas partes: uma compreende a prática do corpo, enquanto que na outra – cirúrgica – nos ocuparemos das feridas, separadas uma da outra por parágrafo e capítulos especiais. aplicaremos agora este preâmbulo ou prólogo (proesagium) à cada parte de maneira que convenha e corresponda a todas elas em todos os seus aspectos. Entretanto, antes de começarmos os cinco livros prometidos e este prólogo, temos que fazer – oh! médicos de cada especialidade! – uma advertência nova e distinta, que chamaremos de “parêntesis médico”.
O motivo deste “parêntesis” prévio está dado pela natureza desses prólogos, assim como o do conteúdo dos livros seguintes, de tal forma que seja adequado para todos e para cada um dos nossos discursos, fazendo com que eles possam subsistir independentemente. neste parêntesis conhecerão verdadeiramente as origens de todos os males, assim como seus mecanismos de produção, e de tudo o mais que os médicos precisam saber, de qualquer seita ou especialidade a que pertençam.
Porque se eles souberem isso poderão trabalhar perfeitamente e com toda a liberdade em qualquer das escolas às quais pertençam seus conhecimentos, pois, acima de tudo, conhecerão a verdadeira origem de todas as enfermidades. é lógico que este parêntesis, no qual se expõem as causas de todos os males, anteceda os cinco livros de conclusões. e ele é, assim, indispensável, já que toda cura deve ter por base uma causa concreta. A verdadeira causa será descoberta pelo homem hábil que possua o conhecimento das coisas necessárias para obter a cura.
Agora seguem-se cinco partes que chamaremos de “tratados”. e serão exatamente cinco, já que cinco são as ordens das coisas as quais procedem as enfermidades, divididos em capítulos para a sua melhor compreensão e todos eles orientados em duas ordens intelectuais da medicina – clínica e cirúrgica – que substituem independentes nas diversas escolas e se distinguem por regras bem definidas.
Axioma V – “Este princípio que faz viver o firmamento, que conserva e acalenta o ar e sem o qual de dissolveria a atmosfera e morreriam os astros, chamamos de m ( ? mercúrio filosófico )”
Livro segundo
Prólogo primeiro
(advertência sobre a ignorância dos médicos livrescos e sobre a conveniência da universidade dos conhecimentos médicos.)
Aos médicos e cirurgiões que leem este parêntesis, com o proveito do qual lhes será possível alcançar a categoria de verdadeiros médicos, devo dizer, primeiramente, que não devem considerar-me inábil ou ignorante só porque andamos por caminhos diferentes. aqueles que não os acompanham simplesmente não veem nada convincente em seus estilos, nem em suas práticas, nem no conhecimento que têm das causas – perfeitamente errôneo -, como vamos repetir mais adiante e demonstrar em seguida.
Não é a rareza de suas curas milagrosas, nem a abundância dos doentes que, tendo se submergido aos seus cuidados foram logo depois abandonados, o que mais nos assombra. mas que apesar disso continuem glorificando além das medidas todos os seus mestres caldeus, gregos e árabes. Já que conforme o testemunho de seus escritos, os seus clientes de hoje terão a mesma sorte daqueles, acabando a maioria por morrer.
A verdade é que nem esses livros enfraquecem os nossos, nem seus métodos ( dos quais na realidade não fazem a menos ideia ) impugnam ou destroem os que nós praticamos. deveriam pensar, pelo contrário, em não nos combater com tais armas, que no final das contas são as mesmas que nós usamos hoje a nosso favor. E em verdade digo que não conseguiriam com isso senão favorecer-nos.
Se em nossos livros omitimos muitas coisas é porque as mesmas já se encontram de maneira correta nas obras mais antigas, o que não deixamos de reconhecer e assinalar sempre que preciso ou conveniente, sem negar a cada autor a originalidade correspondente. Sem dúvida alguma, nunca nos expressamos desta maneira, a não ser quando falamos dos métodos da medicina natural, na qual pretendem com notória insolência ser considerados como sábios eminentes. e digo, já que insistem em rechaçar com tanta arrogância os conhecimentos das outras quatro escolas, que fazem assim porque não as estudaram nem as compreenderam.
Direi também que hipócrates esteve muito mais perto da escola espiritualista do que da medicina natural, mesmo sem ter feito menção de tais diferenças em seus escritos. Galeno também trabalhou muito mais de acordo com a medicina caracterológica e com os presságios do que com a medicina natural. e igualmente podemos nos referir a muitos outros autores da mesma maneira.
Igualmente direi, que se é certo os segredos, mistérios e forças sobrenaturais (facultates) podem ser considerados, a justo título, como magnalia artis, e que na maioria dos casos permanecem ocultos ou escondidos, seria conveniente ir em sua busca por caminhos mais lentos (via longationis), mais seguros, que nos permitam contemplar, pesquisar, repassar e comparar nossas observações com toda a atenção.
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Eu que lhe agradeço Fernanda, nossa intenção primordial é dividir informações sobre os temas que abordamos. Apareça sempre, pois o site terá muitas novidades ainda este ano.
abraços
Amigo, obrigada…comecei a estudar faz pouco tempo sobre a mesa radiônica.Daí para diante, venho cada vez mais buscando algo coerente sobre os temas em questâo.Encontrei você em uma comunidade do Orkut e lhe admiro por sua dedicação em responder a todos que ali postam.
Busquei incessantemente algo que me esclarecesse sobre Paracelsius e eis aqui.
Obrigada, luz e prosperidade!
Realmente se trata de um texto bastante importante, pois nos ajuda a entender as principais bases da Terapia Holística
Aprendi muito